Patrimônio da cidade, a Feira Central perde 70% de movimento e tenta sobreviver

“Seja bem-vindo, freguês! A batata frita é por conta da casa. Vamos entrar? ” É assim que o visitante passou a ser recebido no corredor de restaurantes da Feira Central depois que o movimento no local sofreu uma drástica redução em decorrência da pandemia. 

O ponto de encontro tradicional da cidade morena, que costuma registrar um movimento mensal superior a 40 mil pessoas, chega às vésperas de seu centenário com uma queda de público de, no mínimo, 70%.

Dos 300 negócios registrados pela Associação da Feira Central e Turística de Campo Grande (Afecetur), que organizam atividades e administram uma área de concessão municipal, apenas 35% estão em funcionamento. O clima da cidade fantasma causa nostalgia e um aperto no coração de quem já pode aproveitar o lugar cheio de gente e animação. 

São restaurantes, bancas de frutas e legumes, estandes de sobremesas, laticínios artesanais e terrenos conectados, por meio de um calçadão central, a caixas com lojinhas de roupas, eletrônicos, objetos de decoração, brinquedos e lembranças amargando até março. 

Um centro de compras e convivência que, além de atender à população local e turistas, gera, em tempos normais, trabalho e renda por 800 carteiras de trabalho assinadas e mais de 500 famílias.

Os números são calculados pelo fabricante de doces cristalizados Alvira Appel, que há 20 anos expõe sua presença na Feira Central e atualmente, na condição de presidente da Afecetur, lidera o plano de reação dos comerciantes para vencer uma crise e retomar o sucesso do empreendimento. 

“Dos três espaços de comércio populares sob concessão da prefeitura, fomos ou mais acessados ​​por restrições como o bloqueio e confinamento, porque nosso horário é, na maior parte, noturno e, logo em março passados ​​30 dias fechados”, conta Alvira, fazendo uma comparação com o Camelódromo e o Mercadão Municipal.

“Não somos contra nenhuma medida de proteção, ao contrário, perdemos até um familiar, mas, se uma Feira não for abraçada, vamos entrar em colapso total”, diz Alvira, que esteve em reunião com representantes da Secretaria (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo) e da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana), na quarta-feira, em busca de soluções para estimular os negócios durante uma pandemia. “Precisamos de apoio para uma divulgação da Feira como um lugar seguro que pode ser detectado, estamos tomando todas as medidas necessárias conforme as médicas e sanitárias.”

Entre as solicitações encaminhadas pela Afecetur, ainda é um pedido de apoio à segurança patrimonial e dos comerciantes, especialmente no horário de fechamento, e, um prazo médio, a elaboração de um projeto de revitalização para requalificar o espaço, que está sob avaliação desde 2019 para ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Quando a temperatura cai ou sobe, o visitante rapidamente sente frio ou calor no ambiente. Uma área de carga e descarga requer mais estrutura. A Feira possui 24 banheiros, incluindo o acesso e o uso de funcionários. Uma brigada de incêndio conta com 22 profissionais treinados.  

A Prefeitura ainda não tem uma proposta concreta, mas comprometeu-se a desenvolver um mecanismo de suporte à segurança e qualidade no funcionamento para comerciantes e freqüentadores. Uma das metas para as próximas semanas é tentar realizar uma versão sustentável do Festival do Sobá, ponto alto do calendário, que em 2020 chega à sua 15ª. edição. 

“Chegamos a 70 milhões de pessoas nos anos mais concorridos do festival, como 2014 e 2016”, relembra Elvira, que se orgulha de momentos marcantes dos 95 anos de história da Feira, como os tumultos municipais em reconhecimento ao sobá (2006) e ao espaço como ponto turístico (2017). Antes do sonhar alto, o objetivo é mobilizar todos os comerciantes para que abriram mais cedo, desde o meio dia, de quarta a domingo.

A ideia é, com isso, garantir recursos para custos mensais de manutenção, que custam R $ 50 mil reais e são rateados conforme o tamanho do negócio. Uma banca de 5 metros quadrados, por exemplo, arca com uma contribuição de pouco mais de R $ 100 reais. Mas esse é um custo bem variável, acordo com o consumo de água, energia elétrica, material de limpeza e outros itens.

Local passou por limpeza e descontaminação

Nas ações de descontaminação de locais de grande circulação, realizadas pela prefeitura na Feira Central passaram por descontaminação. Na limpeza, para reforçar ou combater o novo coronavírus, foram utilizados cerca de mil litros de hipoclorito de sódio por corredores, lojas, banheiros e balcões do ponto turístico.

 

 

Fonte: Correio do Estado

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