Seleção brasileira: Como Gabriel Jesus e Richarlison ‘colocam a cara’ e usam influência para tratar de causas sociais

Gabriel Jesus e Richarlison estarão no comando de ataque da seleção brasileira contra a Venezuela, nesta sexta-feira, às 21h30 (de Brasília), no Morumbi, pela terceira rodada das eliminatórias sul-americanas à Copa do Mundo de 2022.

A dupla da Premier League também se destaca em outra frente, longe das quatro linhas: o engajamento nas redes sociais.

Cada um ao seu estilo, os jogadores de Manchester City e Everton se aproveitam da influência com os milhões de seguidores para levantar causas importantes.

Mais extrovertido, Richarlison usa Twitter e Instagram para postar de tudo, das zoeiras aos casos mais sérios.

Ele pediu liberdade a Robson Oliveira – detido desde 2019 na Rússia por entrar com medicamento proibido a pedido do sogro do também jogador Fernando -; cobrou justiça no caso Mari Ferrer – influencer que foi violentada sexualmente e cuja atitude do defensor de André Aranha durante o julgamento foi amplamente criticada após divulgação do vídeo -; e retuitou postagens sobre a situação de calamidade vivida no Amapá, que há dias está sob apagão.

‘Não adianta se posicionar errado’, ponderou o atacante em entrevista coletiva na seleção brasileira
© Fornecido por ESPN
‘Não adianta se posicionar errado’, ponderou o atacante em entrevista coletiva na seleção brasileira

O engajamento social, porém, não surpreende com quem trabalha de perto com ele. “É genuíno sim, ele é um cara bem consciente. Ele veste a camisa mesmo”, disse uma fonte próxima a Richarlison.

“Ele nunca teve medo, que eu me lembre. Ele não gosta da política partidária, nunca gostou, mas essa coisa social ele sempre falou. Agora aparece mais né?”, continuou, citando a exposição por atuar na Inglaterra. “O Everton incentiva bastante a parte social, os jogadores até perguntam pra ele sobre o que ele está falando. Na seleção, ele nunca me disse nada (se há interesse). Acho que os caras são meio desligados mesmo”.

“É muito de gente em volta podar os caras. Às vezes eles até querem falar. Mas aí vem o pessoal dizer que depois os caras vão precisar falar disso com profundidade e colocam um pouco de pressão e medo neles”, disse essa fonte.

Em entrevista na seleção nesta semana, o ex-jogador de América-MG, Fluminense e Watford falou do engajamento e de seu papel.

“Essa é uma coisa que eu bato muito na tecla, principalmente nas minhas redes sociais. Eu tento ajudar o máximo de pessoas possível. Hoje mesmo sou embaixador da USP em ajuda no combate ao coronavírus. Tento levar minha visibilidade às pessoas, de todo o mundo, para ajudar as pessoas que precisam. Quando tem uma causa que é para ser resolvida, estou sempre botando a cara”, contou.

“Claro que é muito importante, ainda mais agora que estou jogando na seleção, na Inglaterra, então tenho uma visibilidade maior e com certeza as autoridades vão olhar com carinho. Eu uso isso de uma forma correta”.

Ele citou Marcus Rashford, do Manchester United, como espelho: “Claro que o Rashford serve de inspiração também, porque ele ajudou muitas crianças na Inglaterra, e claro que outros jogadores podem ajudar de alguma forma, mas isso é por conta deles. São coisas difíceis, porque nem todos os jogadores vão colocar a cara, mas é importante eu estar fazendo para que sirva de exemplo para outros atletas”.

Jesus, com um perfil mais discreto, se empenhou durante a pandemia em campanhas contra o racismo e também na arredacação de fundos para o sistema de saúde britânico.

Em entrevista coletiva na Granja Comary, o ex-jogador do Palmeiras disse ser importante seu posicionamento. E não apenas dele, mas de quem tem “voz” para mudar.

“Acho que todos os influenciadores, quando você se torna um influenciador, têm que se posicionar. Óbvio que às vezes você tem que entender mais sobre o assunto que você vai se posicionar, você tem que estudar e entender mais, porque também não adianta você se posicionar errado. O posicionamento só é válido quando você se posiciona certo”, disse o atacante do City.

“É muito válido sim para todos aqueles que têm a voz, que têm seus seguidores, têm as pessoas que te acompanham. A gente como figura pública – jogador da seleção, que hoje está fora do Brasil, tanto os que estão no Brasil também, todos temos sim que se posicionar sempre sobre qualquer assunto que apareça”, definiu.

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