Luiz Henrique Mandetta: nasce um Presidenciável?

Luiz Henrique Mandetta pode até não falar, mas o Democratas nacional tem planos para o ex-ministro, e eles são ambiciosos. De início, transformar o médico em uma referência de assuntos sobre o COVID-19; no fim, até mesmo uma nova via de disputa para o Palácio do Planalto em 2022.

O plano da diretiva do DEM neste momento é, por um lado, não ‘partidarizar’ Mandetta colocando-o em um cargo político, e por outro não o transformar em um sabe tudo. A estratégia é deixar o ex-chefe da Saúde contraponto as futuras, e possíveis, escolhas ruins do atual governo. A informação foi repassada por dirigentes da sigla à Coluna Estadão.

Mandetta é visto dentro do DEM como uma possível rival de Jair Bolsonaro nas eleições 2022, junto com Ronaldo Caiado, governador goiano que virou um dos contrapontos ao Governo federal nesta crise do coronavírus.

A sigla já se prepara, inclusive, para uma ‘enxurrada’ de denúncias que podem aparecer contra o ex-ministro, lideradas pelo gabinete do ódio, já em atividade antes mesmo de Mandetta deixar o cargo.

Deputado federal duas vezes por Mato Grosso do Sul, um micro colégio eleitoral quando olhado pelo ponto de vista nacional. Mandetta agora já pode tentar novos voos. Ou, como questionou a colunista da Folha de S. Paulo Mônica Bergamo: ‘morre um ministro. Nasce um candidato?’

Quem é Luiz Henrique Mandetta?

Nascido na capital de Mato Grosso do Sul em 30 de novembro de 1964, Luiz Henrique Mandetta veio de uma família ilustre na política de seu estado, sendo o caçula dos cinco filhos do casal Hélio Mandetta, médico ortopedista e uma vez vice-prefeito de Campo Grande, com Maria Olga Solari, ambos descendentes de imigrantes italianos. Entre seus parentes notáveis, incluem-se os seus primos, o incumbente senador Nelsinho Trad, o deputado federal Fábio Trad, o prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad e o ex-presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Paulo Siufi Neto.

Aos 17 anos, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro para cursar medicina na Universidade Gama Filho (UGF). Fã de futebol, torcedor do Botafogo, conheceu sua esposa Terezinha em meio aos encontros da União Sul Mato-Grossense de Estudantes e à torcida nos jogos do seu clube. Seguiu especialização em ortopedia pelo Serviço de Ortopedia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, depois foi morar em Atlanta nos Estados Unidos para fazer sub especialização em ortopedia infantil pelo Scottish Rite Hospital (en).

Ainda nos anos 90 voltou ao seu estado, servindo como médico militar no posto de 1º tenente no Hospital Central do Exército (HCE). De 1993 a 1995 foi médico da Santa Casa de Campo Grande e conselheiro fiscal para a Unimed e Santa Casa. Em 2001, aos 37 anos, foi eleito presidente da Unimed Campo Grande, o mais jovem a ocupar o posto na cooperativa, ocupando o cargo até 2004.

Secretário Municipal da Saúde
Em 2004, seu primo Nelsinho Trad foi eleito prefeito de Campo Grande, e convidou Mandetta para assumir a Secretaria Municipal de Saúde, primeiro cargo público da carreira do médico. O secretário assumiu durante um surto de dengue no município, focando seu trabalho em campanhas contra os vetores da doença, mais tarde dando palestras sobre seus métodos para combater a doença em todo o Brasil.

Deputado federal
No começo de 2010, Mandetta saiu do PMDB para concorrer ao cargo de deputado federal. Foi eleito pelo DEM nas eleições de 2010, recebendo 78,7 mil votos, sendo posteriormente reeleito com 57,3 mil votos nas eleições de 2014, para a 55.ª legislatura (2015-2019).

Como deputado federal, o conservador Luiz Henrique foi oposição ao Governo Dilma Rousseff, especialmente ao programa Mais Médicos e se mostrou contrário a legalização do aborto, no entanto, o mesmo também defendeu o uso da maconha medicinal. Além disso, ele focou na pauta da saúde, frequentemente defendendo mais recursos para a área.

Adicionalmente, votou a favor do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Posteriormente, foi favorável à PEC do Teto dos Gastos Públicos. Em abril de 2017 votou a favor da Reforma Trabalhista. Em agosto de 2017 votou a favor do processo em que se pedia abertura de investigação do então Presidente Michel Temer. Em outubro de 2017, na votação para a criação de um fundo público para financiamento das campanhas eleitorais, foi um dos deputados que votou a favor. Foi ele que recebeu a deputada Tereza Cristina, na época recém expulsa do PSB por ter votado a favor da reforma trabalhista, no Democratas.

Inicialmente, Mandetta era visto como pré-candidato ao cargo de Governador de Mato Grosso do Sul pelo Democratas, mesmo com o partido sendo base aliada do governador Reinaldo Azambuja. No entanto, anunciou sua aposentadoria política, afirmando que desejava ficar mais tempo com sua família. Consequentemente, não se candidatou à reeleição nas eleições de 2018.

Ministro da Saúde
Em 20 de novembro de 2018, Mandetta foi confirmado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde, tornando-se o terceiro ministro do Democratas junto com sua conterrânea Tereza Cristina e o gaúcho Onyx Lorenzoni. Pesou na sua indicação o apoio de associações médicas, santas casas e da frente parlamentar de medicina.

Bolsonaro afirmou que a denúncia não seria motivo para impedir a nomeação, que Mandetta não seria réu, e que só uma acusação ‘robusta’ o tiraria do ministério. Sobre a acusação de irregularidades durante sua gestão à frente da Secretaria de Saúde de Campo Grande, o deputado afirmou uma semana antes da confirmação para o cargo, que havia conversado com Bolsonaro sobre os detalhes do caso.

Mandetta foi empossado pelo Bolsonaro dia 1 de janeiro de 2019. Como ministro, ele moderou seu discurso, evitando se meter nas polêmicas do Presidente como a saída unilateral de Cuba no programa Mais Médicos anunciada na transição de governo e não realizando a “despetização” (nome dado para a remoção de qualquer funcionário com ligação ao PT promovida pela governo). Na sua gestão, ele buscou a readmissão dos cubanos e a aprovação do programa Médicos pelo Brasil, apesar da boa relação com o Congresso, o ministro teve dificuldade em articular sua agenda prioritária, com a medida provisória quase caducando antes ser aprovado no final de 2019.

Permaneceu no cargo até 16 de abril de 2020, quando foi exonerado por Bolsonaro, com quem vinha travando uma relação conflitante por divergências quanto ao confinamento da população no combate à pandemia de COVID-19. Mandetta, que defendia o isolamento máximo, com o qual Bolsonaro não concordava, foi substituído.

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