A ARTE MUDA ATITUDES

Marilena Grolli é uma artista mato-grossense especialista em artes visuais pela UFMS, Patrona da cadeira número 10 da Academia Feminina de Letras e Artes de MS e radicada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, desde criança. Além de ser artista visual é ceramista, ativista e grafiteira, dona de uma técnica original e inconfundível, que mistura a arte contemporânea e o exagero das cores vivas. Após criar uma série intitulada “Os Capengas” (indivíduo torto), sua arte saiu das telas e ganhou muros, painéis e lugares inusitados. Para Grolli, o fato de buscar os espaços públicos, torna-se uma maneira de socializar a arte para aquelas pessoas que não podem comprar ou frequentar uma galeria, haja vista, que muitos espaços de exposição soam como elitistas e sofisticados, afastando pessoas mais simples ou com pouco conhecimento artístico. Com seu trabalho, já recebeu convites para expor em diversas partes do estado, país e do mundo. Participou de diversas exposições individuais e coletivas, nacionais e internacionais. Atualmente é possível ver os traços da artista plástica em grafittis ou em outros suportes em diversos lugares da cidade de Campo Grande e diversas outras cidades do interior do estado como Corumbá, Nova Andradina, Camisão, Nova Alvorada do Sul, Aparecida do Taboado, Dourados, Jatei, Rio Brilhante, Nioaque, Amambai, etc., além de outros estados como RJ, SP, RS, BA, etc., bem como em outros países como México, Canadá, Argentina, etc.

O seu trabalho ganhou paredões, muros, paredes, pátios de escolas, viadutos vários suportes e até esgotos. Sua arte é o que se pode dizer, “é para quem tem olhos para ver”. Com a técnica do grafitti e mista, Grolli encanta e intriga a maioria das pessoas que passam por espaços públicos como a Orla Ferroviária, a Orla Morena e diversos outros locais do país e do mundo, onde sua obra está mais viva do que nunca, em cores vivas e com um forte apelo crítico e sarcástico. Grolli considera o seu trabalho como uma espécie de crônica pintada. A série que lhe rendeu reconhecimento do público e da crítica, “Os Capengas” são sujeitos, que para a artista, tem uma identificação direta com a sociedade, por retratar nesses painéis, fortes questionamentos, seja no ponto de vista político, social e ambiental. “É a arte como provocação”, salienta ela.

O público jovem já carrega em sua natureza uma inquietação, uma vontade de transformar o mundo. São pessoas questionadoras, com muita energia para gastar e muitas vezes insubordinadas, contestadoras.


Muitos desses jovens já possuem um feeling para a arte; por fim, terminam, sem técnica e sem conhecimento, partindo para a pixação, simplesmente pela vontade de se expressar. Atualmente em Campo Grande diversos monumentos, prédios públicos ou privados, muros e residências são pixados todos os dias.

Há a necessidade de se pensar em aproximar esses jovens, despertar o talento que eles possuem e oferecer a técnica e o recurso para transformar essa energia em arte. Segundo a artista, grafiteira e Patrona da cadeira número 10 da Academia Feminina de Letras e Artes de MS, Marilena Grolli, as oficinas e ações sociais por ela ministradas e fomentadas por décadas, visam trabalhar a arte como uma expressão poética e urbana atual, que incentiva a sociabilização dos participantes. “Queremos propor uma reflexão interna através da expressão artística. A proposta é instigar o participante a perceber a Arte Grafitti como poesia visual estimulando a criatividade, a crítica à realidade social ou, simplesmente, o desejo de embelezar os espaços urbanos”

As Oficinas e ações sociais desenvolvidas por Grolli abordaram temas como expressão poética, forma de expressão urbana atual, sociabilização, além de propor uma reflexão interna via a expressão artística já que a mesma liberta, propondo diálogos, dentre outros. Sempre foi objetivo destas ações instigar o participante a perceber a Arte grafitti como poesia visual no espaço urbano, com objetivos comunicativos específicos, valorizando a sua vertente comunicativa.

O Grafitti como uma forma de arte alternativa, como contracultura, onde se manifesta um desejo de criatividade, estimulado por vezes, pela crítica à realidade social ou, simplesmente, pelo desejo de embelezar os espaços urbanos.

(Marilena Grolli)

 

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