O molho mais caro que o peixe - TRIBUNA DO PANTANAL

O molho mais caro que o peixe

Há várias semanas venho trazendo artigos que advertem sobre a necessidade de
se votar de forma consciente, pode parecer tendencioso mas minha intenção é realmente
propor um momento de reflexão e conscientização para esse pleito eleitoral.
Historicamente viemos cometendo os mesmos erros desde a redemocratização, salvo na
eleição presidencial de 2018, todas as outras eram levadas na base do dinheiro da compra
de ideologia e em alguns casos compra de votos literalmente.
Normalmente uma campanha é decidida na base do quanto se gasta ou melhor
“investe”, e muitas vezes esse dito investimento acaba saindo muito mais caro do que o
próprio rendimento do cargo nos quatro anos de mandato, pois supondo um exercício
lógico, colocando um salário de R$ 15 mil para um vereador em seu mandato de 4 anos
ele deverá receber um montante incluindo férias e décimo terceiro salário, uma bagatela
de R$ 840 mil. Mas o que é estranho é que o TSE estabeleceu um limite de gasto para a
campanha de vereador em 2020 um teto de R$ 732 mil, o que é lógicamente incongruente,
quem em sã consciência investiria em um trabalho temporário 87% de seu ganho em
quatro anos apenas no processo seletivo?
E se olharmos para a campanha de prefeito o caso ainda é pior. Supomos que
nosso prefeito receba um salário mensal de R$ 20 mil. Para um mandato de 4 anos
incluindo férias e décimo terceiro salário ele receberá R$ 1,1 milhão mas o teto de gasto
na campanha do prefeito em Campo Grande é de 7,6 milhões. Isso é surreal não faz
sentido algum você pagar 7 vezes o que ganharia nos quatro anos de atuação no emprego
apenas no processo seletivo.
Mas aí podem argumentar: “Irwing você está sendo inocente, quem custeia isso
não é o candidato, são empresas que possuem interesse na eleição”, ok eu até entendo,
mas aí lanço outra pergunta. Será que o interesses dessas “empresas” vão de encontro
com os interesses da população? Caso contrário o molho fica muito mais caro que o peixe.
E vemos hoje eleitores deslumbrados com um incentivo quinzenal de R$ 250,00
para o período de campanha, acreditando que esse é o único motivo justificável para o
apoio ao candidato. A lei de Gerson (nome atribuído ao desejo do brasileiro de sempre
levar vantagens em tudo), já tem se demonstrado inepta e resultado em grandes prejuízos
para nossa sociedade, pois uma vez que determinado candidato te ofereça algum benefíciotemporário, certamente isso lhe custará a saúde, educação, segurança e o bem estar social
seu de sua família e de todos os munícipes.
O artista brasileiro Sócrates Di Lima certa vez escreveu: “O voto é sagrado, saber
votar faz a diferença entre o correto e o errado, o honesto e o corrupto”. Mesmo que
acredite que seu voto é insignificante, ele é único e representativo, ele simboliza sua
vontade e desejo para nossa cidade, se você de forma deliberada vota em um candidato
que não possui condições nem qualificação para o cargo, você está deixando claro que
não se importa de qual forma nossa cidade será gerida. Assim, quando você precisar de
atendimento em qualquer órgão público, seja saúde, educação, segurança e outros, não
poderá questionar os recursos recebidos para seu atendimento, pois foi o seu voto dito
insignificante que garantiu a eleição desse parlamentar incapacitado para o cargo
concorrido.
Não quero de forma alguma fazer ameaças infantis prevendo um apocalipse caso
você eleja um corrupto, pois dessa forma eu estaria sendo antidemocrático, pois estaria
limitando o seu direito de votar. Se você quer votar no candidato corrupto e/ou
incompetente independente do motivo você tem todo o direito, e ninguém tem nada a ver
com isso, essa é a beleza da democracia, pois como já disse Margareth Thatcher “A
democracia não é um sistema feito para garantir que os melhores sejam eleitos, mas sim,
para impedir que os ruins fiquem para sempre”. Mas eu não posso ignorar o fato de que
existe um volume gigantesco de eleitores que votam de forma aleatória, e é a esses que
direciono minhas palavras, pois esses possuem boa intenção, querem uma cidade melhor,
apenas não entende a importância do voto no processo democrático.
Já disse em artigos anteriores, não faço questão de rememorar seu voto é uma
arma, seu título é um porte, ninguém em juízo perfeito tendo uma arma e o porte, entrega
a terceiros, sabia para quem você entrega seu voto, pesquise, questione, não tenha
preguiça de levantar informações de seu candidato. Faça uma lista de possíveis candidatos
merecedor de seu voto, e vá eliminando aquele que não se enquadram em seus critérios
de um bom parlamentar, esse exercício será muito bom para que sua escolha seja a melhor
possível.
Caso seu candidato escolhido se eleja, você terá uma responsabilidade maior nas
mãos, pois foi com anuência de seu voto que ele alçou o cargo pretendido, então brigue,questione, cobre, não deixe ele pensar que pode fazer o que bem entende no cargo que
você conferiu a ele.
*IRWING FERREIRA*

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